Censura do Bem: Documento vazado do Google admite o abandono da liberdade de expressão por “segurança e civilidade”

A notícia é de outubro de 2018 e é exclusividade no Brasil pelo POLITZ, traduzida livremente. O assunto nunca foi tão atual.

 

Um documento interno do Google vazou exclusivamente para o site de notícias Breitbart e afirma que “devido a uma variedade de fatores, incluindo a eleição do Presidente Donald Trump, a tradição americana de liberdade de expressão na internet se tornou inviável”.

O POLITZ tem a obrigação de traduzir (livremente) essa reportagem, dando os devidos créditos a FPI. Infelizmente só tivemos essa oportunidade agora. Fiquem a vontade para corrigir qualquer erro em nossa matérias, basta usar os comentários. Vamos à reportagem:


Tirando o fato do vídeo vazado mostrando executivos seniores declarando a intenção de que o crescimento de Trump e do movimento populista é apenas uma “bolha” na história, Google vem repetidamente negando que existe posicionamento político de seus funcionários em seus produtos.

Porém, o documento de 85 páginas intitulado “A Boa Censura” (“The Good Censor”) admite que o Google e outras plataformas de tecnologia “controlam majoritariamente as interações online” e “tomaram um rumo de censura” em resposta a eventos políticos ao redor do mundo.

Como exemplo, fora citado a eleição de 2016 (de Trump) e o crescimento do partido de direita AfD (Alternative for Deutschland) na Alemanha.

Em resposta ao vazamento, uma fonte e funcionário do Google afirmou que esse documento é considerado como uma “pesquisa interna” e “não é o posicionamento oficial da companhia”.

O documento afirma que o ideal de “liberdade de expressão” na internet é uma “narrativa utópica” e está sendo “minada” devido a eventos globais e por conta de “comportamentos indesejados” por parte dos usuários. Publicamos o documento inteiro e está no final desse artigo.

É de conhecimento geral que as maiores plataformas de tecnologia do mundo, incluindo Google, Facebook e Twitter prometeram inicialmente liberdade de expressão para todos os consumidores. “O ideal da liberdade de expressão dominou o DNA das startups do Vale do Silício e agora controlam a grande maioria dos serviços de conversas online” – diz o documento.

O documento afirma que o Google, Facebook, YouTube e o Twitter foram “pegos” em posições incompatíveis: “o mercado de ideias” versus “espaços ordenados com segurança e civilidade”.

Mas as empresas de tecnologia rapidamente mudaram da liberdade de expressão para censura e moderação.

A ideia inicial é que os produtos seguiriam a “tradição americana” que “prioriza a liberdade de expressão e democracia e não civilidade”. O segundo descreve o produto como “seguir a tradição europeia, que favorece a dignidade e civilidade ao invés da liberdade”. O documento afirma que todas as empresas de tecnologia estão mudando para seguir essa tradição europeia.

Nota do Editor: Essa “tradição” europeia é a mesma que está tornando a Europa o que ela é hoje. É isso que vocês querem?

O documento associa o Google como o responsável pelo novo papel de garantidor da “civilidade”, como editor e publicador. Isso é significativo já que dá o Google e ao YouTube e outras gigantes da tecnologia o poder de serem, basicamente, o Ministério da Verdade, ao invés de serem plataformas neutras.

Donald Trump, um Teórico Conspiracionista

Uma das razões que o Google identifica como supostamente responsáveis pelo aumento da “desilusão”, é que a criação de teoristas da conspiração, devido a liberdade de expressão, é uma das responsáveis. O exemplo que o Google usa? Um tweet de 2016 pelo então candidato, Donald Trump, alegando que supostamente o Google suprimiu os resultados das buscas por conteúdos negativos de Hillary Clinton.

Quando se trata de usuários, todos esses comportamentos indesejados e falta de gerenciamento… Nas caixas, temos as seguintes descrições: [1] Impacto na confiança. É um pesadelo, eu não posso mais confiar no YouTube; [2] Incita o criticismo. Como uma elite nos entregou ao caos; [3] Aumento nos pedidos por regulamentação. Porque precisamos regular as plataformas de tecnologia; Cria teorias da conspiração. A ferramenta de busca do Google está suprimindo resultados negativos sobre Hillary Clinton – Isso deixa os usuários impotentes, frustrados e confusos…

Na época, o Google afirmou que estava suprimindo sugestões automáticas de pesquisa sobre todo mundo, não apenas da Hillary. Porém, esses resultados foram facilmente comparados quando pesquisado por Bernie Sanders ou Donald Trump. Uma pesquisa independente feita pelo psicólogo Dr. Robert Epstein, também mostrou que os resultados do Google, realmente favoreceram a Hillary em 2016.

Duas vezes no documento o Google justapôs o factoide sobre “interferência russa” nas eleições americanas, com imagens de Donald Trump. Em um determinado ponto, o documento admite que as plataformas de tecnologia estão mudando as suas políticas.

O documento não fala sobre o impacto nulo de bots internacionais e propagandas na influência dos eleitores. Esse impacto nulo de influência foi afirmado por renomados psicólogos.

De Sugestões para Políticas da Empresa

Não está claro para quem a “Censura do Bem” se refere. O que está claro, por outro lado, é que o Google gastou (ou pagou alguém para gastar) muito tempo para produzir esse documento.

De acordo com o próprio briefing, foi um intenso processo de pesquisa em diversos níveis, incluíndo entrevistas com experts do MIT, o Editor Chefe Jason Pontin, o escritor Franklin Foer do Atlantic e o acadêmico Kalev Leetaru. 35 “observadores” culturais e 7 líderes culturais de sete países diferentes em 5 continentes também foram consultados para produzir esse documento.

O que é claro é que diversas recomendações do briefing estão sendo refletidas nas políticas do Google e outras empresas semelhantes.

Por exemplo, o documento argumenta que as companhias tem que censurar suas plataformas “se elas quiserem expandir globalmente”. Por exemplo, o Google está construindo uma ferramenta de pesquisa para ganhar acesso ao mercado da China, colaborando com a ditadura comunista.

Diante dos fatos elencados, destacamos alguns pontos extremamente importantes para que vocês leitores possam visualizar:

  • P2 – O documento declara que “os usuários estão se perguntando se a abertura da internet deveria realmente ser celebrada e que “a liberdade de expressão se tornou em uma arma social, econômica e política”;
  • P11 – O documento identifica o site Breitbart como a mídia mais interessada no assunto de liberdade de expressão;
  • P12 – O documento afirma que os ideais de liberdade de expressão da internet são conceitos “utópicos”;
  • P14 – O documento admite que o Google, junto com o Twitter e o Facebook “controlam a maioria dos sistemas de conversas online“;
  • P19-21 – O documento identifica diversos fatores que supostamente abalaram a fé na liberdade de expressão. A eleição de Donald Trump e o suposto envolvimento da Rússia é identificado como um dos fatores. O crescimento do partido de direita AfD na Alemanha é outro motivo;
  • P26-34 – O documento explica como que o comportamento indesejado dos usuários prejudica a liberdade de expressão e permite que “políticos expandam suas influências”. Também lamenta-se que “racistas, misóginos e opressores” também são permitidos nas redes, ao lado de “revolucionários e delatores”. E ainda, que os usuários cometem transgressões de normas morais atrás da proteção da anonimidade proporcionada pela internet.
  • P37 – O documento reconhece que a China é o país que tem a menor liberdade na internet;
  • P45 – Após o aviso do crescimento do discurso de ódio, o documento cita Sarah Jeong, famosa por discursos de ódio contra homens brancos (Google atualmente está enfrentando um processo que alega que a empresa discrimina brancos e outras categorias);
  • P49 – O documento acusa o presidente Donald Trump de espalhar “teorias conspiratórias” por ter afirmado que o Google estava suprimindo notícias negativas contra Hillary, enquanto a pesquisa citada anteriormente mostrou realmente que estava favorecendo a candidata;
  • P54A plataforma Gab, famosa por defender a liberdade de expressão é identificada como o maior destino de usuários que não estão satisfeitos com a censura em outras plataformas;
  • P57 – O documento cita a suposto esquema Trump e Rússia;
  • P63 – O briefing admite que o Google, o GoDaddy e o CloudFlare removeram o site The Daily Stormer de forma simultânea, efetivamente retirando-o da internet;
  • P66-68 – Questão dos comportamentos, políticas e posições contraditórias e que as gigantes do Vale do Silício preferem abandonar a “Tradição Americana” de liberdade de expressão e priorizar a “Tradição Europeia”, que favorece dignidade e civilidade ao invés da liberdade;
  • P70 – É citado a questão que essas empresas devem sim mudar para uma política de censura se elas quiserem expandirem globalmente, para “monetizar o conteúdo através de organização” e “proteger os anunciantes de conteúdos controversos e aumentar as receitas”;
  • P74-76 – Por fim, o documento alerta que as preocupações contra a censura das grandes empresas do Vale do Silício se espalharam além das mídias alternativas e agora ocupam canais da mainstream.

É possível ler o documento inteiro aqui:


Fonte Primária da Informação:

Breitbart

Arquivo da Matéria

Nota: Breitbart é uma das maiores mídias independentes do mundo, fundada pelo famoso jornalista Andrew Breitbart. Os meios mainstream acusam o site de propagar notícias falsas, conspirações e de ser da “extrema-direita”. O POLITZ traduziu e adaptou essa reportagem. Todos os direitos autorais são dos seus respectivos autores.


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