Em 63 a.C., César foi eleito para a posição de pontífice máximo (pontifex maximus), o sumo-sacerdote da religião estatal romana, o que lhe dava direito a uma residência na Via Sacra. Em 62 a.C., Pompeia realizou um festival em homenagem a Bona Dea (“boa deusa”), no qual homem nenhum poderia participar, em sua casa.

Porém, um jovem patrício chamado Públio Clódio Pulcro conseguiu entrar disfarçado de mulher, aparentemente com o objetivo de seduzi-la.

Ele foi pego e processado por sacrilégio. César não apresentou nenhuma evidência contra Clódio no julgamento e ele acabou inocentado. Mesmo assim, César se divorciou de Pompeia, afirmando que “minha esposa não deve estar nem sob suspeita”.

Esta frase deu origem a um provérbio, cujo texto é geralmente o seguinte: “A mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”.

E é justamente sobre esta anedota que repousa meu artigo de estreia no Politz, onde já rendo meus mais profundos agradecimentos a este importante canal de comunicação política. Pois bem, eis que o filho de Mourão se tornou o mais novo afortunado numa estranha meritocracia de um banco estatal. O novo Presidente do BB nomeou o filho do vice-presidente da República, Rossell Mourão, então funcionário de carreira do banco há pouco mais de 18 anos, a Assessor Especial da Presidência, com um gordo salário de R$ 38.000,00. Um aumento de mais de 300% em seus antigos vencimentos.

Assim como Pompeia não foi adultera por ter um intruso em sua residência, não há nada de ilegal na nomeação do filho do Vice-Presidente, aliás, dizem inclusive que é um excelente quadro de carreira dentro do banco. Entretanto lhe pesa sim o preço da dúvida que nasce da expectativa criada em uma campanha que tratou muito destas questões, sempre prezando pela meritocracia, respeito entre o público e o privado, o fim do loteamento de cargos públicos por amigos e familiares, enfim, uma gestão que entre outras coisas, prezasse pelo EXEMPLO, aqui que foi então o infortúnio de Pompeia e a decisão de Cesar. Mourão sabia ou soube a tempo de fazer algo? Não sei. Poderia ter evitado ou ainda evitar? Acredito que sim. Escolheu minimizar a questão “o resto é fofoca” disse ao Portal de Notícias Uol

A nomeação de Rosselli não é ilegal, nem ilícita. É sim imoral e confuso, passa uma mensagem de privilégio e apadrinhamento, algo que sempre lutamos e muito para findar, ou no mínimo reduzir. No Brasil de hoje não basta ser. Deveremos parecer ser.

Uma baita canelada Mourão!


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